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Home»Entretenimento»Gospel eletrônica: DJ lamenta críticas que recebe sobre festas parecerem ‘shows mundanos’
Entretenimento

Gospel eletrônica: DJ lamenta críticas que recebe sobre festas parecerem ‘shows mundanos’

fevereiro 26, 2025Nenhum comentário0 Visitas

DJ PV conta ao g1 que enfrenta resistência no mercado. ‘Tive referências seculares em aspecto técnico, de carreira, de show, de apresentação, de experiência, até de gestão’, ele explica. Os vários ritmos da música gospel
Milhares de jovens reunidos em um mesmo evento e vibrando ao som da música eletrônica. A descrição poderia ser de uma rave ou de um show do Alok, mas também define as apresentações comandadas pelo DJ PV.
O artista goiano de 34 anos soma mais de 1 milhão de inscritos no YouTube, ultrapassa os 800 mil ouvintes mensais no Spotify, é acompanhado por 566 mil seguidores no Instagram e tem seu trabalho voltado para a música cristã.
E, embora receba críticas de um público mais conservador, PV prova que música gospel vai muito além do louvor de adoração.
Nesta semana, o g1 apresenta artistas de vários estilos da música gospel, mostrando que o gênero vai além do louvor de adoração e se mistura com todos os ritmos e batidas.
Quem é DJ PV?
DJ PV
Reprodução/Instagram
DJ PV é Pedro Victor. O produtor e compositor nasceu em Goiânia e se mudou para São Paulo em 2019. Na capital paulista, vive com a mulher, Liége, e o filho, Yan, de 10 meses.
Pedro trabalha com música desde os 15 anos. Nascido em lar cristão, teve seu início na arte dentro da igreja.
“Tem gente até que pensa que por eu ser DJ, talvez eu tenha experimentado o que chamam de ‘mundo’, que eu tenha aprendido isso no mundo, no meio secular, mas não. Tudo eu aprendi na igreja, servindo a minha igreja local, trabalhando com dança, com hip hop, com teatro, com edições de vídeo, de áudio”, afirma em entrevista ao g1.
Suas referências vieram de dentro e de fora do segmento gospel. E isso não envolve apenas a parte musical.
“Existiram alguns DJs cristãos antes de mim. Infelizmente eles não tiveram a visibilidade que eu tive. Eu gostaria que houvesse muito mais representantes desse gênero. Eu pude ter umas referências mais clubbers, mais segmentadas. E também tive referências seculares em aspecto técnico, de carreira, de show, de apresentação, de experiência, até de gestão, e que me trouxeram uma direção para os próximos passos.”
PV conta que 80% dos eventos em que se apresenta são conferências de jovens organizadas pelas igrejas. Diferentemente do que acontece com outras festas eletrônica, estas não contam com bebida alcóolica ou drogas.
DJ PV
Reprodução/Instagram
“A gente nem precisa falar de proibição: ‘Ah, não pode fumar, não pode ter pegação, não pode ter álcool’… As próprias pessoas já têm um certo bom senso em relação a isso. E as igrejas, uma vez que estão organizando essa dinâmica, já deixam bem norteado o ambiente para que isso não fique sem um padrão”, explica Pedro. “As pessoas estão ali realmente num momento de amizade, de alegria, de comunhão, de edificação.”
O artista também já tocou em alguns eventos cristão. Em um deles, teve a presença de Alok (o próprio PV já foi chamado de “Alok do Gospel”).
“E um fato interessante: o Alok já regravou música minha. Ele falou: ‘Cara, eu sou um cara muito conectado à espiritualidade e quero colocar isso no meu estilo de vida musical’… E aí ele regravou uma música minha juntamente com o Padre Manzotti [‘Vou Para O Alvo’]. Fiquei extremamente honrado com essa situação.”
“Isso parece um show mundano”
Em sua página no Instagram, DJ PV costuma receber várias críticas citando que seus eventos “parecem um show mundano”, “que Deus não se agrada com isso” ou que ele prega um “falso evangelho”.
“Acham que estão me ofendendo, mas pra mim, é mais um reforço de que estou engajado no propósito que fui chamado, cumprir o ‘Ide por todo o mundo e pregai o evangelho’”, responde ele na própria rede social.
Ainda assim, Pedro acredita ser importante cada um analisar sua própria história para entender se as apresentações serão benéficas ou não para a pessoa.
“Eu entendo muito bem alguns seguidores meus e até eventuais haters que falam: ‘Ah, isso aí vai afastar as pessoas do caminho de Deus’.”
Gospel eletrônico com DJ PV foi atração na Festa Junina e Votorantim
@victordealmeidafotos
“Se você um dia esteve numa rave e foi muito usuário de drogas e essa música te faz lembrar coisas do seu passado que você não quer viver mais, realmente não é o melhor que você escute as minhas músicas eletrônicas.”
“Agora, também tem esse cara que apesar de viver um tempo de drogas, de rave, de balada, já conseguiu ressignificar isso e se vê gostando da música eletrônica, ouvindo uma música com boas mensagens, cristã, saudável. E que vai inclusive fortalecer esse novo tempo na vida dele.”
Jovens querem relacionamento com Deus, mas não querem religiosidade
PV afirma que seu público nos shows não é formado exclusivamente por evangélicos. “Muitos, sequer são cristãos de prática, de ir à igreja, mas estão consumindo esse conteúdo para se conectar com respostas”, acredita PV.
“Os jovens, principalmente, querem um relacionamento com Deus. O que eles não querem é a religiosidade. E o que que eu chamo de religiosidade? Esse formato às vezes muito sacro e que cria-se um ritual com muitas regras e pouca aplicabilidade real do Evangelho.”
“Quando você vê esses fenômenos como a música cristã eletrônica, rock, pagode, hip hop… fenômenos também fora da música, como Deive Leonardo, que fala com milhões de pessoas fora da bolha religiosa, você vê que trata-se um pouco dessa conexão de menos embalagem e mais realidade. Menos sacro e mais um Deus de relacionamento real praticável no meu dia a dia.”
Parcerias orgânicas
PV tem parcerias com diversos artistas da música gospel, como Fernandinho, Gabriela Rocha, André e Felipe, Alex Campos, Redimi2, Leonardo Gonçalves e Preto no Branco.
Até por isso, diz não ver problemas de rixas dentro do cenário gospel, como costumam acontecer no mercado de alguns gêneros musicais.
Alok e DJ PV
Reprodução/Instagram
“Da minha parte, eu não posso reclamar, porque a minha música depende sempre de um feat. Eu não canto, então eu sempre fui muito ajudado de maneira extremamente generosa por cantores de diversos subgêneros.”
“Eu sempre fui muito acolhido por eles e sei que esse acolhimento pode até custar para eles uma certa rejeição pelo público mais tradicional que tem dificuldade com o meu gênero musical. Então eu posso dizer que por onde eu ando, eu vejo muita unidade, sim.”
Apesar disso, PV é contra aqueles feats que são feitos apenas porque os artistas fazem parte do mesmo gênero musical.
“Tem pessoas que confundem a unidade com uma pseudo união, que ela muitas vezes não vai ser tão orgânica. ‘Ah, você tem que me ajudar porque a gente professa a mesma fé’. Cada um tem que conquistar seu espaço. Não pode ser uma obrigação com essa premissa de que ‘só porque a gente tem a mesma fé, você tem que gravar comigo, você precisa postar a minha música’.”

Fonte: G1 Entretenimento

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