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Home»Tocantins»Procedimento de intubação feito por falsa médica em hospital público requer técnica e treinamento, diz especialista
Tocantins

Procedimento de intubação feito por falsa médica em hospital público requer técnica e treinamento, diz especialista

janeiro 19, 2025Nenhum comentário1 Visitas

Euzébio Correia da Silva, de 86 anos, morreu após ser atendido por mulher que não teria formação, em Guaraí. Procedimento deve ser feito de forma rápida e segura para o paciente. Euzébio Correia da Silva morreu aos 86 anos no Hospital Regional de Guaraí
Divulgação
Uma intubação realizada por uma um mulher que estaria atuando como médica mesmo sem ter diploma teria sido a causa da morte idoso Euzébio Correia da Silva, de 86 anos, durante a pandemia de Covid-19. O procedimento é necessário quando o paciente enfrenta dificuldades respiratórias graves requer conhecimento prévio das técnicas e treinamento. É o que explicou o médico pediatra intensivista José Maria Sinimbú Filho.
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O caso aconteceu em 2021. Diagnosticado com Covid-19 no dia 17 de maio daquele ano, o idoso acabou morrendo dias depois, após ser atendido por uma mulher identificada pela família como Ludmylla Ferreira Alves. Em uma ação movida pelos filhos do idoso, o Estado foi condenado a pagar R$ 100 mil à família. O nome dela aparece na sentença, mas a mulher não é ré no processo.
Ao g1, o médico José Maria explicou que qualquer médico com formação superior aprende técnicas de intubação orotraqueal (IOT), mas se não fizer o procedimento com certa frequência, pode ter dificuldades.
“Então, às vezes, a gente fala que é um procedimento médico, porém nem todo médico é capacitado em si próprio. É um procedimento que precisa ser feito de uma forma segura e de uma forma rápida”, afirmou.
O procedimento geralmente é realizado em condições graves, onde o paciente apresenta insuficiência respiratória. Conforme o médico, nesses casos o organismo não consegue fazer a função fisiológica da respiração e a oxigenação dos tecidos e dos pulmões, assim como a eliminação do gás carbônico.
“É um procedimento muitas vezes realizado na urgência, quando a gente tem uma criança [ou adulto] criticamente doente, com um risco em potencial de ter uma parada respiratória ou uma parada cardiorrespiratória. Algumas vezes esse procedimento ele pode ser feito de uma forma eletiva, quando a gente tem sob anestesia. A gente precisa anestesiar o paciente, então ele vai precisar ficar ali com a musculatura paralisada para que ele não sinta dor e também não se mexa para que a cirurgia seja feita”, disse o médico, sobre as circunstâncias e necessidade para o paciente.
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Riscos da intubação
Um fator que deve ser levado em consideração na hora do procedimento é a agilidade. Para o intensivista, se a intubação demorar a ser feita no paciente, pode causar a falta de oxigenação – chama de hipóxia -, que pode levar a uma parada cardiorrespiratória ou até mesmo lesões cerebrais.
Lembrando que o paciente que precisa ser intubado está com a respiração comprometida, ou seja, sem oxigenação no corpo.
“Eu tenho ali um tempo para realizar aquele procedimento. Então tenho a etapa de preparação do material, de oxigenação desse pulmão para dar uma reserva para ele, de medicamentos para gerar analgesia e sedação para que esse paciente não sinta dor desconforto e também não sofra o que eu posso fazer com a intubação, que é por exemplo um reflexo de vômito, que eu coloco uma lâmina ali entre a língua mais abaixo, pode desencadear um reflexo de vômito, pode desencadear um reflexo vagal que faz com que os batimentos cardíacos diminuam”, ressaltou
Além dos riscos citados, o paciente ainda pode sofrer um pneumotórax, que é insuflar muito esse pulmão, levando ao risco de rompimento, à diminuição do coração e até a quebra de dentes. O médico explica que a musculatura do pescoço precisa estar relaxada para a passagem do tubo orotraqueal de uma maneira mais segura.
Com relação à intubação em pacientes com Covid-19, como foi o diagnóstico do paciente atendido pela falsa médica em Guaraí, o médico osé Maria Sinimbú Filho destacou que uma das dificuldades é a transmissão do vírus, causando riscos aos médicos e ao ambiente de saúde. Mas, o procedimento é o mesmo.
“Com a ressalva de que muitas vezes, na época da pandemia, esse paciente ele era entubado numa condição muito grave de acometimento pulmonar”, completou.
Caso denunciado
Em julho de 2021, os servidores do Hospital de Guaraí teriam percebido a falta de conhecimento da mulher nos atendimentos aos pacientes. Os supervisores da unidade foram informados e a direção descobriu na época que ela apresentou um documento falso que indicava que ela era formada em medicina no estado de Goiás.
A direção registrou boletim de ocorrência e foi informada de que ela já seria investigada pelo mesmo crime em outros municípios.
A SES afirmou em nota que encaminhou o caso à Corregedoria da Saúde órgão que trabalha nas respectivas investigações para as medidas cabíveis.
Os filhos de Euzébio não tinham conhecimento que a mulher que se apresentou como Ludmylla não era formada em medicina. Eles só descobriram quando o nome dela saiu em uma reportagem, citando que ela atuava ilegalmente. Por isso, os filhos entraram na Justiça pedindo reparação pela situação que o pai passou.
A decisão da 1ª Vara Cível de Guaraí saiu no fim da tarde de segunda-feira (13). O Estado foi condenado a pagar os R$ 100 mil à família de Euzébio por danos morais.
Em nota, a SES informou nesta semana que não havia sido notificada, mas que a pasta realizou Boletim de Ocorrência na época e encaminhou o caso à Corregedoria da Saúde.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Fonte: G1 Tocantins

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